Artigos: Aposentadoria

Preparação para a aposentadoria deve envolver toda a família

29/8/2016 - Jornal Valor Econômico 23/08/2016

Por Renato Bernhoeft SÃO PAULO ¬ Por atuar desde os anos 80 no preparo de executivos para o pós¬carreira — processo de aposentadoria — verifico um significativo e rápido aumento na importância do tema no Brasil. Especialmente se considerarmos alguns fatores que se acentuaram nas últimas décadas, tais como o aumento da longevidade, a redução no índice de natalidade, a mudança no perfil das estruturas familiares, o maior ingresso das mulheres no mercado de trabalho e novas exigências corporativas na estrutura das carreiras. Como parte dessa perspectiva merece registro um recente estudo do HSBC, realizado em 17 paises com 110.000 pessoas, sob o título “O futuro da aposentadoria – A importância da família”. Segundo o mesmo, o estudo “procurou olhar para as importantes diferenças no modo como as pessoas planejam a aposentadoria, dentro de diferentes tipos de famílias. Em especial, examinamos a lacuna de gênero entre homens e mulheres na forma como planejam sua aposentadoria e como esta lacuna pode ser influenciada pela chegada dos filhos e as diferenças nos padrões de trabalho. Uma conclusão primordial é que a unidade familiar permanece central ao redor do mundo quanto a como, e se, as pessoas estão assumido o planejamento financeiro para a aposentadoria.” Entre os muitos registros vale destacar que 60% de todos que responderam à pesquisa declararam que ter uma família e amigos, ao seu redor, será extremamente importante na fase da aposentadoria. É evidente que esse ponto tem inúmeras variações de acordo com as diferentes culturas de cada região. Nos paises latinos, e também em alguns asiáticos, é comum a ideia de que os pais vão depender dos filhos na medida em que envelhecem. Diferentemente dos paises ocidentais com formação anglo¬saxônica, onde o empenho é por manter a autonomia financeira e cuidar da saúde para não depender dos filhos, pelo menos do ponto de vista material. Em relação as questões da vida financeira, ainda predomina uma conduta muito machista — 65% dos homens disseram que tomam todas, ou a maior parte das decisões da casa, sem nenhuma opinião dos demais, comparados a apenas 53% das mulheres, que disseram ser a única pessoa a tomar decisões. Quando se trata de poupar para a aposentadoria, os homens tendem mais a exercer a responsabilidade solitária na tomada de decisões. A única área onde as mulheres têm alguma participação individual é no orçamento da casa. Um maior equilíbrio, nas decisões como casal, aparece naqueles que estão, atualmente, na faixa dos 30 anos e também onde ambos contribuem, financeiramente, para o orçamento doméstico. Entretanto, segundo a pesquisa, 37% dos homens na faixa dos 50 anos que afirmaram administrar suas finanças não tinham feito nenhuma reserva ou poupança destinada à aposentadoria. Além de um claro descuido e falta de uma conduta preventiva com as questões financeiras e de saúde, é menor ainda o índice de pessoas que têm um “projeto de vida” para essa etapa. Apenas falam genericamente de continuarem felizes e manterem uma boa convivência familiar. O que preocupa é que o assunto não é considerado, discutido, e menos ainda compartilhado com a estrutura familiar. Lamentavelmente o envelhecer continua sendo um assunto tabu, para o qual a grande maioria das famílias está totalmente despreparada. O relatório conclui com quatro recomendações. São elas: 1) Compartilhe a tomada de decisões. É importante que o planejamento financeiro familiar seja compartilhado e que se considere a unidade da família e as necessidades financeiras em potencial dos esposos, filhos e demais parentes dependentes. 2) Revise planos financeiros à luz dos grandes eventos da vida. O planejamento financeiro não pode ser estático. Eventos familiares como nascimentos, doenças, mortes e casamentos agem como disparadores do início ou da revisão dos esquemas financeiros da família. 3) Verifique o sentido de suas decisões com um consultor financeiro. Mesmo quando os planos existem, podem conter lacunas. Buscar orientação profissional pode ajudar a identificar e preencher surpresas. 4) Adote uma abordagem equilibrada da gestão do risco de investimento. As famílias devem equilibrar a necessidade de proteger seus investimentos no curto e médio prazo com a necessidade de gerar renda para a aposentadoria, no longo prazo. Enfim, são provocações que funcionam como primeiro passo, mas devem servir para gerar um conjunto de ações preventivas na continuidade. A preparação para a aposentadoria e o planejamento familiar de longo prazo são temas que não podem ser delegados a ninguém. Assuma como sua responsabilidade. Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho de sócios da höft consultoria.


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