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Americanos abrem empresas no lugar de se aposentar

20/1/2014 - Jornal Valor Econômico 20/01/2014

Em seu aniversário de 65 anos, o ex-executivo Gary Kinsey registrou formalmente uma empresa que produz aparelhos médicos. "É um risco enorme", disse Kinsey, atualmente aos 67, proprietário da North Florida Medical Solutions Inc., de Gainesville. "Apostei tudo o que tenho nela nos últimos dois anos. Me expus ao risco."

Americanos de mais idade como Kinsey estão se abstendo cada vez mais de se aposentar e inaugurando empresas, porque percebem as limitações de oportunidades de emprego após os 55 anos, não têm poupança suficiente para ter uma aposentadoria confortável ou querem trabalhar por conta própria. Pessoas de 55 aos 64 anos abriram 23,4% das empresas americanas em 2012, em relação ao percentual de 14,3% de novos empreendedores registrado em 1996, segundo pesquisa da Kauffman Foundation, especializada em empreendedorismo.

"O emprego corporativo de 30 anos com um relógio de ouro não existe mais", disse Dane Stangler, vice-presidente de pesquisa e de política pública da Kauffman em Kansas City, referindo-se ao antigo hábito de presentear os funcionários que se aposentavam. "Muitas pessoas não estão preparadas para se aposentar. Estamos vivendo com mais saúde por mais tempo, e elas procuram uma fonte de renda principal ou complementar."

Embora startups estejam mais associadas a empreendedores jovens, como Mark Zuckerberg que começou o Facebook enquanto estudava na Universidade de Harvard, administradores experientes podem estar mais bem-preparados para implantar uma empresa iniciante, destacou Jeff Mariola, de 59 anos. Em outubro ele inaugurou a Digital BrandWorks em Chicago, que comprou uma empresa de comércio eletrônico, chamada Buy Happier.

Ele diz se valer de sua experiência como presidente da Ambius, fornecedora de obras de arte e plantas a escritórios onde administrou uma divisão de mais de 1,2 mil funcionários.

"Ter experiência é decisivo", disse Mariola. "Os bancos são, geralmente, conservadores e querem ter certeza de que as equipes de gerenciamento entendem o fluxo de caixa e as demonstrações de resultados, coisas que são a base de uma empresa."

Há mais empresas iniciantes a caminho. Cerca de 25% dos americanos de 44 a 70 anos estão interessados em criar sua própria empresa ou instituição sem fins lucrativos, segundo pesquisa de novembro de 2011 da Encore.org, sediada em San Francisco, que estuda os planos de nova carreira dos "baby boomers" (os nascidos no pós-guerra, atualmente na faixa dos 58 aos 68 anos). A média de idade de 500 candidatos a participar um recente programa de empreendedorismo na Flórida, parcialmente financiado pelo Departamento do Trabalho, era de 51 anos, disse Michael O'Donnell, diretor de projetos regionais da incubadora Startup Quest, da Flórida.

"As pessoas de mais de 50 anos estão estudando seriamente a possibilidade de abrir uma empresa iniciante como alternativa", disse ele. "São pessoas de formação aprimorada que foram dispensadas no último desaquecimento [da economia] e percebem que não terão esses empregos de volta."

A Flórida, um conhecido destino para aposentados, tem incentivado as pessoas mais velhas, que mudam para lá, a abrirem empresas, disse Andrew Duffell, principal executivo do Research Park da Florida Atlantic University de Boca Raton. O parque inclui uma incubadora de empresas tecnológicas para dar assistência a empresas iniciantes, "bem uns 30%" delas administradas por pessoas com mais de 50 anos.

"Os baby-boomers têm mais escolaridade e provavelmente mais espírito empreendedor que as gerações precedentes", disse William Frey, professor-visitante-sênior da Brookings Institution de Washington. Além disso, eles tendem a possuir casa própria e ativos que podem ser usados para custear empresas, disse Kenneth Johnson, demógrafo-sênior do Carsey Institute da Universidade de New Hampshire.

Joseph Schmoke, de 69 anos, geria uma faculdade particular em Birmingham, Alabama, até 2010, e não se conformava com o fato de faculdades de menor porte como a sua serem normalmente ignoradas pelos serviços de classificação.

Pesquisa mostra que 50% dos trabalhadores nos Estados Unidos temem não ter dinheiro suficiente para se afastar aos 65 anos

Em 2011, fundou a University Research & Review, que tem dois sites para ajudar os alunos a fazer escolhas entre faculdades menores. A empresa tem quatro funcionários em período integral e sete em regime de meio período. "Estou cansado de praticar remo", disse Shmoke, que abriu sua empresa no parque de pesquisa de Boca Raton. "Não jogo golfe. Estou com boa saúde. Quero e tenho a energia, e preciso fazer alguma coisa. Podemos gerar um efeito positivo e até ganhar um pouco de dinheiro também."

Há uma tendência de americanos mais velhos trabalharem por mais tempo. Sessenta e cinco por cento dos que têm 55 a 64 anos estavam trabalhando ou procurando emprego em 2012, comparativamente aos 56% que faziam isso em 1992. Por sua vez, a participação das pessoas de menos de 45 anos na população economicamente ativa caiu nos últimos 20 anos, segundo o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos.

Um maior contingente também planeja trabalhar depois da tradicional idade de aposentadoria, de 65 anos. Cerca de 50% do total de trabalhadores não estão confiantes de que terão dinheiro suficiente para se aposentar de fato, detectou pesquisa realizada em março pela instituição de pesquisa, sem fins lucrativos, Employee Benefit Research Institute, de Washington.

Para muitos empreendedores, suas empresas tanto são uma reação à falta de empregos correspondentes às suas qualificações quanto um esforço para colher um repentino sucesso financeiro. "Se você é demitido de um bom emprego, se abre sua própria empresa, você não tem de se preocupar com as predisposições dos departamentos pessoais quando examinam currículos de candidatos", disse Gary Burtless, professor-visitante-sênior do Brookings Institution e ex-economista do Departamento do Trabalho dos EUA.

Kinsey montou ... máximo: 6000 caract


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