Artigos: Aposentadoria

Gastos no primeiro ano de aposentadoria tendem a ser maiores do que o estimado

23/8/2013 - Jornal Valor Econômico 22/08/2013

Você pode testar diversos cálculo para o planejamento da aposentadoria desde agora até quando estiver com 90 anos, mas é improvável que algum deles venha a incorporar despesas como um vestido de palco personalizado de cetim e imitações de diamantes de US$ 1.000. Essa foi a primeira coisa que Aurora Flores, 60, comprou quando se aposentou no ano passado, após 20 anos trabalhando como relações públicas.

A nova-iorquina também intensificou as atividades de sua banda de "world music", com apresentações internacionais, e começou a gastar a maior parte de seu dinheiro extra com itens como viagens entre as apresentações e vestidos cintilantes como o mencionado.

Valeu a pena. Flores se divertiu e ganhou mais dinheiro na estrada, com sua banda Zon del Barrio. Mas o vestido é um símbolo e também uma amostra de que as despesas do primeiro ano de aposentadoria são sempre maiores que o esperado, além de imprevisíveis.

É bom saber isso porque praticamente todos os simuladores de aposentadoria exigem que os trabalhadores façam uma avaliação aleatória da quantia de dinheiro que pretendem gastar na aposentadoria. Muitas pessoas subestimam o número para o primeiro ano, quando os recém-aposentados gastam além da conta com viagens e hobbies. Os gastos tendem a diminuir posteriormente, quando o aposentado envelhece mais, se acomoda em rotinas e passa a viajar menos.

Flores calcula que gastou cerca de US$ 112 mil em seu primeiro ano de aposentadoria. Isso equivale a 75% dos US$ 150 mil que ganhou de salário no seu último ano de trabalho, uma porcentagem típica de primeiro ano de aposentadoria, segundo especialistas. Mas, assim como fez Flores, nem todo o dinheiro vai para pagar contas e medicamentos para hipertensão. Grande parte dele é um investimento adiantado em uma mudança de estilo de vida.

Apesar de todas as pesquisas feitas em nome do planejamento de aposentadoria, há poucos dados sobre as despesas reais dos aposentados no primeiro ano. Segundo a Agência de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos, as pessoas com idades entre 65 e 74 gastam 33% de seus orçamentos com moradia; 12% com saúde; 13% com alimentação (com um terço disso indo para refeições fora de casa); 5% com entretenimento e 17% com transporte, incluindo viagens de lazer.

A "Reuters" perguntou a alguns aposentados como eles gastaram seu dinheiro durante esse primeiro ano e se deparou com uma grande variedade de respostas. "Se você trabalhou 40 anos, como eu e minha esposa, você pensa: 'Bem, é hora de ter um pouco de diversão'", diz Stan Hinden, um ex-colunista do "The Washington Post" e autor do livro "How to Retire Happy". Ele e a esposa fizeram um cruzeiro de uma semana para o Caribe, ao custo de US$ 15 mil, quando ele se aposentou, e admite: "não incluí o custo da viagem em meu orçamento. Demoramos dois anos para perceber isso e tivemos realmente que reduzir nossos gastos".

Parte disso foi necessário por causa de despesas com saúde no primeiro ano de aposentadoria, o que é comum entre os aposentados que desistem do seguro fornecido pelos empregadores, mas são jovens demais para ingressar no Medicare e no Medigap. Hinden tinha o Medicare, mas lembra que precisou colocar duas coroas nos dentes no primeiro ano de aposentadoria, uma despesa que o Medicare não cobriu. Foi uma bela mordida: isso lhe custou US$ 2 mil, que ele teve que tirar do bolso.

Hinden recomenda aos pré-aposentados que se planejem para gastar mais de 80% do último salário anual no primeiro ano de aposentadoria, assim vão estar preparados para diversão e custos médicos inesperados.

Metade das pessoas que participaram de uma pesquisa recente do Employee Benefit Research Institute disse que gastou mais no começo da aposentadoria do que antes de parar de trabalhar. Para alguns aposentados, as dívidas também são um fator a ser considerado. Os novos aposentados na média têm hoje hipoteca pendente e dívidas no cartão de crédito iguais a cerca de 10% do patrimônio líquido, segundo o Public Policy Institute da American Association of Retired People (AARP).

Richard Alan Brown, do Highlands Ranch, Colorado, refere-se à sua aposentadoria, em março de 2012, quando atuava como representante de vendas do setor farmacêutico, como "mudar de faixa" - talvez porque ele tinha carros novos em mente. "Novos brinquedos eram necessários", disse ele, observando que o leasing do carro de sua esposa Beth venceu e ele teve que entregar o carro da companhia. Eles gastaram US$ 55 mil em um Jeep 2011 e um Chevrolet Camaro V6 ano 2011.

O casal também promoveu uma festa para comemorar a "mudança de faixa" para cerca de 75 convidados no Broadmoor de Colorado Springs, um resort de luxo que fica ao lado do lago Cheyenne, evento que custou a eles entre US$ 12 mil e US$ 15 mil. "Quando você se aposenta com um grande pacote de benefícios, você se acha o rei do mundo durante o primeiro ano", diz Brown, 61, que estava ganhando US$ 148 mil em seu último ano no trabalho.

Mas os Brown na verdade planejaram cuidadosamente a ostentação do primeiro ano - gerindo os números com um consultor financeiro e reduzindo as despesas normais, incluindo a mudança para uma casa menor. Eles gastaram 75% de suas rendas combinadas no primeiro ano e esperam gastar menos no segundo, em parte porque ele está passando a maior parte de seu tempo escrevendo um livro, e em parte porque o casal economiza com viagens dirigindo por 40 minutos até as montanhas Rochosas para se divertir. "É o custo de um tanque de gasolina para nós."

Mas nem todo mundo reduz os gastos ou o padrão de vida na aposentadoria. Tony Lopes, 59, de Yorba Linda, na Califórnia, e sua esposa Celia, 57, recorreram às suas economias para comprar, por US$ 132 mil - mais que o dobro de seu último salário -, uma casa de quatro dormitórios que eles dividem com a filha, o cunhado e três netos. O casal viaja constantemente para uma casa de férias no Texas e espera Celia se aposentar como professora de jardim de in ... máximo: 6000 caract


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